PSB sai revigorado da eleição de 2018

PSB sai revigorado da eleição de 2018

access_time 16 de outubro de 2018 Este post foi lido 45 vezes

Três governadores eleitos, quatro nomes disputando o segundo turno e uma bancada maior do que a de siglas tradicionais da política nacional como PSDB e DEM. O PSB saiu das urnas revigorado como uma força de centro-esquerda democrática. O desempenho da sigla chama atenção não apenas pela resiliência à onda de direita que marcou a votação, mas também por mostrar a força do partido após dois episódios traumáticos. Em 2014, o PSB assistiu à morte em um acidente aéreo do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, seu principal líder político. No início deste ano, a agremiação perdeu 11 deputados federais após um realinhamento à esquerda e em oposição ao presidente Michel Temer (MDB).

Do primeiro turno, o PSB saiu com os governadores de Pernambuco, Paraíba e Espírito Santo; garantindo três tradicionais enclaves da sigla. Também passou para o segundo turno em São Paulo, Distrito Federal, Sergipe e Amapá. Elegeu 34 deputados federais; número maior do que PSDB e DEM (ambos com 29 parlamentares) e comparável ao do MDB (também elegeu 34 deputados).

“Sempre estão fazendo prognósticos negativos em relação ao PSB. Inclusive jornalistas e gente do partido, quando resolvemos expulsar 11 deputados, diziam que íamos virar um partido nanico. E eu dizia que íamos recuperar do ponto de vista numérico e qualitativo. Foi o que aconteceu. Esse resultado de governadores também nos deixa muito feliz. É a expansão do partido em áreas importantes. O melhor exemplo é São Paulo”, argumenta Carlos Siqueira, presidente nacional da sigla. Se garantir a reeleição do governador Márcio França (PSB), que disputa o governo paulista contra João Doria (PSDB), os socialistas se tornarão o partido a governar o maior número de eleitores do País.

Em Pernambuco, o PSB conseguiu reeleger o governador Paulo Câmara por uma pequena margem, mas que vai garantir que o partido chegue aos 16 anos no comando do Estado. Além disso, os socialistas fizeram a chapa completa: com as vitórias para o Senado de Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (MDB). E, principalmente, o partido conquistou votações históricas para a Câmara Federal, com João Campos (460 mil eleitores), e para a Assembleia Legislativa, com a delegada Gleide Ângelo (412 mil votos).

“Prova que a população tem aprovado o governo do nosso partido aí no Estado. A votação de João não tem precedente na história política de Pernambuco. Ela tem um simbolismo muito grande, reaviva uma chama que sempre nos inspirou, que foram as ideias de Eduardo Campos. É uma liderança nova, que sai consagrada das urnas e aponta para o futuro. Ele desponta como muita força”, projeta Siqueira.

De olho no futuro

Nos bastidores, João e Gleide já são tratados como quadros majoritários. Ele é visto como opção para a sucessão do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), em 2020. Já a delegada pode ser uma carta na manga para enfrentar o grupo oposicionista dos Ferreira em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, segundo maior eleitorado do Estado.

“Todos os quadros do PSB são importantes. Sobretudo eles dois. Que tiveram um destaque e têm um respeito muito grande do eleitor. Eles já eram quadros do partido, e passam a ser referência no PSB. Mas vamos esperar. Tem tempo também. Os dois não estão fazendo esse tipo de planejamento para agora. Mas tenho certeza de que eles atenderão qualquer chamado do partido”, explica Sileno Guedes, presidente estadual do PSB.

De acordo com Sileno, o segundo mandato de Paulo Câmara deve ser focado na recuperação econômica do Estado. “O governador vai dedicar muito do seu tempo à atração de investimentos para Pernambuco. Inclusive como uma forma de combater o desemprego. Ele se comprometeu a criar um pacto pelo emprego. Você também pode esperar o nível de eficiência de gestão que ele já apresentou nos quarto primeiros anos de mandato”, adianta.

O desempenho do PSB no Congresso indica que a sigla será o segundo maior partido de esquerda no Parlamento; atrás apenas do PT, com 56 parlamentares. “Isso nos dá autoridade, até pela legitimidade que vem da urna, para que a gente possa fazer um papel até de mediação nesse momento que a gente está vivendo no País. A gente está vendo um processo do segundo turno uma disputa estabelecida entre tantos políticos opostos. O PSB tem condições de construir pontes com o campo político que nós pertencemos, da centro-esquerda, no sentido de construir uma unidade mínima. Com o resultado que aconteça, qualquer que seja, a gente vai voltar a ter um País fraturado. E o PSB vai ter uma postura responsável diante do próprio Brasil”, argumenta o deputado federal Danilo Cabral.

Para o deputado federal Tadeu Alencar, hoje líder do PSB na Câmara, o partido seguirá discutindo alternativa para eleições nacionais. Este ano, a sigla conseguiu filiar o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que desistiu de disputar a presidência da República após pedidos da família para evitar o assédio que a posição geraria. “Acho que o PSB, até por esse crescimento consistente, com coerência às ideias que sustenta, com abertura para enxergar uma economia globalizada, quando a gente apresentou um projeto nacional, a gente tinha consistência do que estava propondo. Por isso, tentamos Joaquim Barbosa. Se dependesse de mim, seguramente, em 2022, o PSB teria candidato a presidente da República. Daqui para lá é muito distante. Eu quero falar do dia de hoje. A gente tem muita coisa importante para resolver”, lembra Tadeu. “Tem um enfrentamento a ser feito do ponto de vista da economia. Qualquer que seja o presidente eleito, nós temos lado e capacidade para criar o diálogo. Chega de intolerância. O Brasil tem problemas enormes”, explica o socialista.

Do JC Online.

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